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A Saúde Financeira das Empresas e os Primeiros Sinais de Fragilidade

Postado em 3 Fevereiro 2017 por Para Proteger
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Recentemente a Serasa Experian impactou o mercado corporativo com a notícia: 

(....) Recuperações judiciais batem recorde histórico em 2016, revela Serasa Experian. Pedidos de falências foram os maiores dos últimos quatro anos (...) De acordo com Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações,  em 2016, foram requeridos 1.863 pedidos de recuperações judiciais, 44,8% a mais do que o registrado em 2015 (...) O quadro recessivo da economia brasileira, que prevaleceu durante o ano de 2016, prejudicou a geração de caixa das empresas. Por outro lado, as empresas também se depararam com o crédito caro e escasso. Assim, houve deterioração da saúde financeira das empresas brasileiras, ocasionando patamar recorde dos pedidos de recuperações judiciais (...)”

Muitas vezes nos depararmos com notícias como esta. E, devido às turbulências do dia a dia, não nos damos conta do quanto esta situação é crítica para o mercado e de como ela afeta a vida empresarial e a de todos nós, consumidores.

Para facilitar o entendimento da importância deste tema, vamos fazer uma analogia entre a saúde financeira de uma empresa e a saúde humana.

A empresa saudável é aquela geradora de empregos, que paga seus colaboradores em dia, se relaciona bem com os seus fornecedores, cumpre obrigações fiscais, satisfaz o consumidor com bons produtos ou serviços, consegue remunerar o sócio e reinvestir parte dos seus lucros visando o crescimento futuro.

Já a empresa em crise é aquela que, de tão “doente”, precisa de cuidados especiais. Estão nesta categoria as empresas em processo de recuperação judicial (que necessitam de “internação em UTI”) e também as que registram expressivo volume de pedidos de falências e número de protestos, a ponto de tirar o sono do empresário e minar sua capacidade de reverter esta crítica situação.

Na saúde humana, é altamente recomendável a prevenção contra as doenças e o fortalecimento dos anticorpos. Na saúde empresarial não é diferente: o diagnóstico precoce das fragilidades será a única alternativa para a reversão do quadro precário. Vamos, então, a algumas questões fundamentais:

Quais os sinais que uma empresa dá, antes de “adoecer” e ir à UTI?

A necessidade da internação humana em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é semelhante ao que chamamos no mundo dos negócios de situação falimentar ou recuperação judicial. Não significa necessariamente o “óbito” da empresa (falência decretada), mas é uma situação gravíssima que inspira tratamento diferenciado.

No entanto, antes de falar em UTI, é necessário esclarecer os métodos de prevenção às doenças! Assim como fazem os humanos, as empresas também emitem sinais de fragilidade antes de entrar em estado crítico.

Quais são os principais sinais que antecedem a ida à UTI?

Alguns sintomas são quase imperceptíveis quando se trata de um desequilíbrio momentâneo.  Mas, no caso de “doença grave”, é necessário ficar atento aos seguintes sinais:

  • Queda substancial nas vendas;
  • Perda significativa de clientes e de participação no mercado;
  • Falta de liquidez por conta dos descasamentos de prazos entre recebimentos de clientes e pagamentos a fornecedores;
  • Falta de dinheiro em caixa para honrar compromissos (folha de pagamento, fornecedores, bancos, atrasos de obrigações fiscais, legais e para credores em geral);
  • Constantes recusas de créditos a juros mais favoráveis e dificuldades em obter prazos maiores para pagamentos;
  • Perda do controle da situação, sensação de fraqueza nas negociações, desespero na gestão, e decisões equivocadas e precipitadas em série, que só agravam o problema;
  • Incapacidade de entregar produtos/serviços com prazo e qualidade pactuados com o cliente;
  • Excessos de burocracias, constantes brigas entre os sócios e equipe de trabalho desmotivada.

Como o empresário pode detectar os primeiros sinais de desequilíbrio antes da “doença” se manifestar?

Para que o diagnóstico seja possível, toda empresa precisa de um plano de negócios antes mesmo de começar a funcionar. Com base no plano de negócios serão definidos o mercado de atuação, qual o produto ou serviço para aquele público, preço, taxa de retorno esperada, quais os processos operacionais que garantirão o nível de produção, de estocagem e a distribuição do produto com qualidade, quais as fontes de financiamentos e o ponto de equilíbrio financeiro empresarial.

Dizemos que a empresa dá os primeiros sinais de problemas quando a realidade das operações está em total desacordo com aquilo que foi planejado. Neste caso, se o diagnóstico não for identificado e uma correção de rumo executada a tempo, a sobrevivência da empresa estará em risco.

E quais são as alternativas para a empresa? A demissão de funcionários seria uma solução?

Primeiramente, é necessário identificar a origem do problema. Não se fala em correção de rumo sem ter o correto conhecimento do que está em desacordo com o planejado. É preciso conhecer os números (as finanças internas) e o mercado de atuação (o consumidor, a concorrência e a economia).

A empresa pode ir à UTI por diversos motivos, e não somente pelo custo da mão da obra. Imaginem, por exemplo, uma queda abrupta nas vendas: o empresário precisa identificar quais são os verdadeiros motivos.

  • Falta de qualidade do produto?
  • Impontualidade nas entregas?
  • Mau atendimento ao cliente?
  • Falta de garantias no pós-venda?
  • Surgimento de concorrente com preços muito abaixo dos praticados no mercado?
  • Mudanças nos hábitos do consumidor?

A resposta pode ser uma ou mais destas acima mencionadas, ou até mesmo outras questões estruturais como a falta de inovação. Neste caso, não adianta demitir pessoas: isto traria um fôlego momentâneo no caixa, mas que não resolveria a essência da questão: desenvolver novos produtos ou serviços a preços justos e que atendam as atuais necessidades deste mercado consumidor, cada vez mais exigente e bem informado.

“Sem um correto diagnóstico, não se chegará ao remédio adequado, tampouco à dose recomendada.”

Buscar um empréstimo pode ser uma opção? Quais são os cuidados a serem tomados?

Muito cuidado! Sem conhecer as verdadeiras causas (financeiras, operacionais, administrativas ou econômicas), buscar empréstimos de forma desordenada só vai agravar o problema.

Se a causa for a dificuldade nas vendas devido à falta de qualidade do produto, o fluxo de caixa da empresa não vai melhorar a não ser que o financiamento seja corretamente direcionado aos investimentos tecnológicos ou melhores processos produtivos. E os custos financeiros do empréstimo agravarão ainda mais a crise.

Então quais as recomendações para as empresas que detectaram os primeiros sinais de problemas?

  1. Identifique a real causa do problema e sua dimensão. Vá a fundo na pesquisa, seja absolutamente rigoroso com os números e cuidado com a auto sabotagem nesta fase.
  2. Se a causa for, por exemplo, o alto custo de produção, seja implacável na busca dos verdadeiros gargalos (desperdícios, processos operacionais ineficientes, excesso de gastos com viagens, gastos com veículos, mão de obra desqualificada, etc.). Aja imediatamente e diretamente nas causas identificadas! Se houver grande dificuldade na detecção, busque ajuda de uma consultoria especializada e recomendada por pessoas que já passaram por dificuldades semelhantes. A busca de conhecimento e ajuda é importante para sair do problema. Leia, estude, pesquise e assuma o comando da situação!
  1. Seja ético e transparente com todos os envolvidos: empregados, parceiros, fornecedores e credores. Ao conseguir detectar o problema, um grande passo já foi dado; portanto, esconder a situação não fortalecerá seus anticorpos. Ao externar que a empresa irá passar por transformações neste momento delicado, é provável que bons e verdadeiros parceiros surjam neste momento e a mobilização das pessoas para apoiar a mudança de rota seja facilitada.
  1. Lidere pelo exemplo! As suas ações e comportamentos devem refletir a situação. Nos sinais de crise, não ostente riquezas pessoais e gastos incompatíveis com a realidade da sua empresa.
  1. Chame os credores para conversar, não fuja! Renegocie prazos, renegocie taxas, busque financiamentos de fontes mais baratas (bancos de desenvolvimento, linhas de financiamentos subsidiados, cooperativas de créditos, startups...). Tenha seu cadastro sempre atualizado no mercado e as suas contas contábeis (balanços) sempre em ordem, pois o banco vai exigir isso da sua empresa no momento da concessão. E não se esqueça: a falta de informação sobre a sua empresa gerará mais desconfiança, e seu crédito será recusado ou terá taxas mais altas do que seriam se as suas informações estivessem disponíveis (mesmo com dados negativos).
  1. Demonstre que está focado na solução dos problemas. Refaça as contas quantas vezes forem necessárias e garanta a realização de todas as etapas acima.
  1. Seja perseverante com a boa conduta e não repita os erros do passado;

Quais são os riscos que a empresa corre se não fizer esses ajustes a tempo?

Se um paciente muito doente não tiver o tratamento adequado, no tempo e na medida recomendada, o que pode acontecer?

Se a internação deste paciente for obrigatória e ele insistir em deixar tudo como está, o que acontece? Sim, o óbito passa a ser uma realidade! Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 6 em cada 10 empresas fecham antes de completar 5 anos de idade.

Em pesquisas recentes, a Serasa Experian divulgou que somente 6% das empresas que entraram em recuperação judicial conseguiram se recuperar em menos de 5 anos. Mais do que nunca, é importante manter-se sempre atento aos primeiros sinais de fragilidade, para ter tempo de planejar as ações e agir.

Mantenha sua empresa saudável. Conte com a Serasa Experian para apoiá-lo a fazer mais negócios com segurança e rentabilidade!

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João Machado

Escrito por
João Machado

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