Consultoria Financeira

Você NÃO compra à vista? Deveria

Artigo de Samir Reis, 06 de Dezembro de 2017

Por que você não faz suas compras à vista?

Acredito que a primeira reposta que lhe vêm à cabeça é: “Porque não tenho o valor total”, certo? Mas você nunca pagou parcelado algo de valor baixo mesmo tendo saldo para comprar à vista? Ou pagou com crédito um valor que podia ser em débito?

Por que então os brasileiros adoram fazer compras parceladas, ou postergar o pagamento?
A resposta é bem simples: trata-se de uma herança cultural e histórica de pagar em parcelas, e essa cultura é refletida, inclusive, na escolha da modalidade crédito ao invés de débito. Só é preciso ter cuidado, pois isso pode virar uma bola de neve.

Compra parcelada é tão brasileira quanto a jabuticaba, o caju, o despachante e o brigadeiro. Tanto que se você tentar solicitar qualquer um desses fora do Brasil, seu interlocutor ficará com cara de interrogação.

A história da origem do parcelado não é muito clara, mas descende do chamado fiado, uma modalidade de venda efetuada na base da confiança, nascida em pequenos estabelecimentos para que o cliente que não tivesse recurso no ato pudesse acertar em data futura. O valor devido era anotado em um caderno.

Nos anos 1950, quando o cartão de crédito nem existia ainda por essas bandas, os estabelecimentos comerciais inventaram o chamado crediário. Com ele, os que não tivessem dinheiro para pagar na hora só precisavam fazer seu cadastro no estabelecimento e pronto: poderiam levar o produto e pagar por mês uma pequena parcela que coubesse no bolso. Funcionou tão bem que a nação assumiu essa operação como padrão.

Com o passar do tempo, esses processos de crediário foram transferidos para as modalidades de pagamento mais modernas, como o cartão de crédito, e qualquer outra modalidade que venha a surgir terá de se adaptar a essa cultura brasileira de pagamento parcelado.

Como se muda um hábito cultural?

No livro Esquisitologia, Richard Wisemam traz à tona uma pesquisa realizada sobre a mudança de comportamento. Em um bairro típico americano, com cerca baixa e jardim bem aparado, um grupo de pessoas bate à porta da vizinhança com o seguinte discurso:

“Olá! Estamos em uma campanha para redução de acidentes de trânsito no bairro e, para isso, acreditamos que a conscientização dos motoristas seja a chave para essa redução. Se colocarmos placas na vizinhança solicitando DIRIJA COM CUIDADO, os motoristas terão atenção redobrada e salvaremos a vida de muitos moradores”.

Os moradores concordam e a equipe aparece com uma placa gigantesca, de 1m X 2m, que quando instalada, tampou parte da vista do jardim. Imediatamente os moradores recusaram a placa por ser grande demais e não combinar com a estética do jardim e, no fim, ela não foi instalada.

Em outro bairro similar, fizeram o mesmo processo, bateram à porta, fizeram o discurso, mas, ao invés de colocar uma placa gigante, colocaram uma de 5cm X 20cm (uma régua). Todos os moradores aceitaram colocar a minúscula placa pendurada na cerca.

Quinze dias depois o grupo aparece com ótimas notícias para os moradores: “Observamos uma queda de 5% no volume de acidentes no bairro. Acreditamos que podemos melhorar os índices se a placa for um pouquinho maior, pois os motoristas a notarão com mais facilidade e a mensagem será melhor recebida”. Os moradores prontamente concordam e colocam uma placa de 21cm X 29cm (folha A4).

Depois de 15 dias, novas estatísticas de redução no índice de acidentes, uma placa um pouquinho maior foi sugerida e assim se seguiu, até o tamanho da placa gigante. Com isso, 70% dos moradores aceitaram algo que inicialmente tinham recusado.

Moral da história: quer mudar seu hábito de parcelamento? Comece aos poucos.

O que você ganha mudando o comportamento de pagamento?

Há vários benefícios na compra à vista:
1. Terá melhor gestão de seus gastos, pois não precisa gerenciar seus recursos como um capital de giro;
2. Reduz o risco de recorrer ao cheque especial;
3. Faz economia, uma vez que remove os juros das compras. Não se engane: não há compra parcelada sem juros, isso é uma manobra comercial.

Para comprar à vista, será também necessário saber esperar. Está em nossa cultura sermos imediatistas, mas, se puder esperar para comprar aquela roupa, relógio, telefone e outros bens de consumo, contribuirá com o objetivo de compra à vista.

Mudar um hábito de consumo é alterar a cultura, ou seja, algo que está enraizado em nós. Não é fácil mudar, mas nesse a mudança poderá se provar bem econômica ao longo de uma vida.

Quer entender mais sobre o hábito de consumo dos seus clientes? Chame um consultor da Serasa Experian.

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Samir Reis
Autor do artigo

Samir Reis

é administrador, possui sólida experiência no mercado financeiro, com passagens por grandes instituições, com atuação na área de risco de crédito e prevenção à fraudes. Foi professor de Riscos no IBTA, ministrou matemática empreendedorismo para escola de negócios do SENAC. Desde 2017 colabora com a Consultoria de Negócio da Serasa Experian, trazendo a experiência do mercado para definição de estratégias e soluções de suporte a decisão em crédito e prevenção à Fraudes.

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